quinta-feira, 27 de outubro de 2011

CONDOR

Doce olhar
           cachorrento
minhas feridas
           lavava,
apaziguador.


E em mim
         incubava
a sua própria dor.


Rosa Melo


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

44

As flores roxas partem-se ao toque da chuva.
Lugar sem nome, saudade de mim
                                     Sem querer pisaste o meu jardim
                                     e as marcas dos teus pés ainda aqui estão
                                     As pegadas diluir-se-ão
                                     No fim só o aroma de ti.






Maria Teresa Mota


 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

ENTRELAÇAR


Desentrelaço o amor
deslaçando o imprevisto
e se com ele me visto

de novo com as tuas mãos
torno a tecer
o que dispo

Entranço a luz no abraço
e o baraço no fulgor
desembaraço a nudez

tiro e uso o meu pudor
ponho o sol a iluminar
o corpo seja onde for


Maria Teresa Horta


domingo, 28 de agosto de 2011

A CHEGADA DO POEMA

É uma inesperada ideia, que irrompe do nada!
Um sopro,
Um acenar na bruma,
Um balancear de folha,
Um afagar de brisa,
Uma tremura de água,
Um trejeito de ombro,
Um sussurrar de anca,
Um barquinho no olhar...
Não sei explicar!
Batem à porta!
Quem é?!
Vou abrir.
É o poema
Que entra a sorrir...

Eduardo Aleixo






 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Branco Sal

Descobrir-te
sob o mesmo céu,
              onde os pássaros.

Ver os pássaros.


Eo Sol e a Luz
e as Cores.
             A Manhã.


Descobrir-te
onde te sabia.
Desde o primeiro dia:
há muito tempo...


Retiro o véu
com que te cobri.
              Da cartola:
O coelho ou a pomba?


Talvez gaivotas.
De maresia 
cercados
-Vivemos-




Rosa Melo