terça-feira, 20 de abril de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
ONTEM
Quem me dera responder-te com a confiança que tive
Outrora nas tuas palavras,
Quem me dera acreditar que responder-te
Mudaria o mundo,
Quem me dera não ter marcas tão vincadas.
Hoje é tarde para amares a dor
E quereres ardor que vai já bem fundo.
Afinal apareceste.
E eu que julguei que eras só imaginação!
Margarida Damião Ferreira
Outrora nas tuas palavras,
Quem me dera acreditar que responder-te
Mudaria o mundo,
Quem me dera não ter marcas tão vincadas.
Hoje é tarde para amares a dor
E quereres ardor que vai já bem fundo.
Afinal apareceste.
E eu que julguei que eras só imaginação!
Margarida Damião Ferreira
quarta-feira, 7 de abril de 2010
segunda-feira, 5 de abril de 2010
CONSTELAÇÕES
Usamos todos a ilusão
de fabricar a vida:
histórias, constelações
de sons e gestos
Usamos todos a suprema glória
do amor: por generosidade
ou fantasia, ou nada, que de nada se fazem universos
Usamos todos mil chapéus de bicos
mal recortados e de encontro
ao sol:
o nosso mais perfeito em franja e bico
e um arremedo tal e seiscentista
que ofuscando-se: o sol
Usamos todos esta condição
de pó de vento, ou de rio
sem pé: único dom de fabricar o tempo
em raiz de palmeira
ou de cipreste
Ana Luísa Amaral
de fabricar a vida:
histórias, constelações
de sons e gestos
Usamos todos a suprema glória
do amor: por generosidade
ou fantasia, ou nada, que de nada se fazem universos
Usamos todos mil chapéus de bicos
mal recortados e de encontro
ao sol:
o nosso mais perfeito em franja e bico
e um arremedo tal e seiscentista
que ofuscando-se: o sol
Usamos todos esta condição
de pó de vento, ou de rio
sem pé: único dom de fabricar o tempo
em raiz de palmeira
ou de cipreste
Ana Luísa Amaral
quinta-feira, 1 de abril de 2010
ESPERA
Hoje estava à tua espera
e não vieste.
E sei bem o que significa a tua ausência,
a tua ausência que alvoroçava
o vazio que deixaste,
como uma estrela.
Dizes que não me queres amar.
Como uma tempestade de verão
que se anuncia e depois se afasta,
assim te negaste à minha sede.
O amor, ao nascer,
tem destes arrependimentos inesperados.
Em silêncio
nos entendemos.
Amor, amor, como sempre,
quisera cobrir-te de flores e de insultos
Vincenzo Cardarelli
e não vieste.
E sei bem o que significa a tua ausência,
a tua ausência que alvoroçava
o vazio que deixaste,
como uma estrela.
Dizes que não me queres amar.
Como uma tempestade de verão
que se anuncia e depois se afasta,
assim te negaste à minha sede.
O amor, ao nascer,
tem destes arrependimentos inesperados.
Em silêncio
nos entendemos.
Amor, amor, como sempre,
quisera cobrir-te de flores e de insultos
Vincenzo Cardarelli
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