Neste longo viver,
Tudo nos vai acontecendo:
O mau queremos esquecer,
O bom vai arrefecendo.
São linhas paralelas,
Que, sem querer, existem.
Não se apaga qualquer delas,
são linhas que coexistem.
Sem o bom, porém,
O mau não tinha existido.
Sem as coisas más, também,
A felicidade não tinha acontecido.
São linhas paralelas,
Que jamais podem desaparecer.
Pois qualquer delas
Faz parte do nosso viver.
Rolendis Solá Albuquerque
quarta-feira, 30 de março de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
SOU PROFESSORA
Escolinha
Não saibas: imagina...
Deixa falar o mestre e devaneia...
A velhice é que sabe, e apenas sabe
Que o mar não cabe
Na poça que a inocência abre na areia.
Sonha!
Inventa um alfabeto
de ilusões...
Um a-bê-cê secreto
Que soletres à margem das lições...
Voa pela janela
De encontro a qualquer sol que te sorria!
Asas? Não são precisas:
Vais ao colo das brisas,
Aias das fantasias..
Miguel Torga
Imagem da internet
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
SOBRE O CAMINHO
Nada.
Nem o branco fogo do trigo
nem as agulhas cravadas na pupila dos pássaros
te dirão a palavra.
Não interrogues não perguntes
entre a razão e a turbulência da neve
não há diferença.
Não colecciones dejectos o teu destino és tu.
Despe-te
não há outro caminho.
Eugénio de Andrade
Nem o branco fogo do trigo
nem as agulhas cravadas na pupila dos pássaros
te dirão a palavra.
Não interrogues não perguntes
entre a razão e a turbulência da neve
não há diferença.
Não colecciones dejectos o teu destino és tu.
Despe-te
não há outro caminho.
Eugénio de Andrade
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
POESIA
Doze signos do céu o Sol percorre,
E, renovando o curso, nasce e morre
Nos horizontes do que contemplamos.
Tudo em nós é o ponto de onde estamos.
Ficções da nossa mesma consciência
Jazemos o instinto e a ciência.
E o sol parado nunca percorreu
Os doze signos que não há no céu.
Fernando Pessoa ( 1888-1935 )
Poesia 1918-1930
E, renovando o curso, nasce e morre
Nos horizontes do que contemplamos.
Tudo em nós é o ponto de onde estamos.
Ficções da nossa mesma consciência
Jazemos o instinto e a ciência.
E o sol parado nunca percorreu
Os doze signos que não há no céu.
Fernando Pessoa ( 1888-1935 )
Poesia 1918-1930
domingo, 6 de fevereiro de 2011
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