segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Branco Sal

Descobrir-te
sob o mesmo céu,
              onde os pássaros.

Ver os pássaros.


Eo Sol e a Luz
e as Cores.
             A Manhã.


Descobrir-te
onde te sabia.
Desde o primeiro dia:
há muito tempo...


Retiro o véu
com que te cobri.
              Da cartola:
O coelho ou a pomba?


Talvez gaivotas.
De maresia 
cercados
-Vivemos-




Rosa Melo



 





terça-feira, 19 de julho de 2011

CHÃO FIRME

Das silvas colhendo amoras,
do céu estrelas colhendo,
das trevas colhendo ânimo,
do mal colhendo a razão,
dos erros colhendo o certo,
do ódio colhendo o amor,
vou por onde outros já foram,
vou por onde outros irão.
Nunca, por mais vão que seja,
o meu sonho será vão.


Armindo Rodrigues


domingo, 10 de julho de 2011

Com as árvores e com as águas
partilho os meus pensamentos.
Manuseio estas palavras como se fossem minhas
para as usar como protesto,
como absolvição: a boca
devorando a própria fome.
Aguardo um sinal que decifre
o nomadismo da memória
e rompa a cumplicidade do tempo.



Graça Pires








quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mãos

A ternura são as mãos.
Não são o canto que exalta
nem a palavra que grita.
São as mãos.

São as mãos que fazem 
falta
Não as do ódio que mata :
as da fé que ressuscita.


As que, mudas, se
procuram
na velha sombra da
escada,
no esquivo canto do muro,
livres como a madrugada,
sabendo que é o futuro
que as alimenta - e mais nada.


Sim, são as mãos a ternura
possível neste deserto
que salta, muito concreto,
do rosto da multidão.


Sim são as mãos a ternura.
Sim, meu amor, a ternura,
a ternura
são as tuas mãos!


António Luís Moita

CIDADE SEM TEMPO
        Do Amor
        Da Morte
Das Pequenas Coisas
        Poemas 


 





terça-feira, 21 de junho de 2011

Prece

Digo o teu nome
                      baixo
                      repetido

como quem diz a prece
condenada
perante um deus maligno e antigo    


                        vingativo
                        violento
                        viciado


Digo


                         murmurado um castiçal


                         de prata e de areia cinzelado


é o teu nome
castiçal sagrado
que acendo  reacendo e não apago




MariaTeresa Horta
    Candelabro-Maio de 1972