Lá anda a minha Dor às cambalhotas
No salão de vermelho atapetado-
Meu cetim de ternura engordurado,
Rendas da minha ânsia todas rotas.
O Erro sempre a rir-me em destrambelho-
Falso mistério, mas que não se abrange...
De antigo armário que agoirento range,
Minha alma actual o esverdinhado espelho...
Chora em mim um palhaço às piruetas;
O meu castelo em Espanha, ei-lo vendido-
E, entretanto, foram de violetas,
Deram-me beijos sem os ter pedido...
Mas como sempre, ao fim - bandeiras pretas,
Tômbolas falsas,carrossel partido...
Mário de Sá-Carneiro
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
sábado, 31 de dezembro de 2011
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
NEVOEIRO
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
domingo, 11 de dezembro de 2011
Em todos os passos
Em todos os passos
existe um pouco do que desejo.
Acordam o rumor do corpo
em lugares próximos.
Antecipam a distância
apesar de ínfimos e repetidos.
Percorria as ruas
como se nada procurasse
além do desígnio.
Entre os limites, acrescentava o deserto.
Encontrarei o que desejo em todos os passos,
não apenas no fim ou no início.
Joel Henriques
existe um pouco do que desejo.
Acordam o rumor do corpo
em lugares próximos.
Antecipam a distância
apesar de ínfimos e repetidos.
Percorria as ruas
como se nada procurasse
além do desígnio.
Entre os limites, acrescentava o deserto.
Encontrarei o que desejo em todos os passos,
não apenas no fim ou no início.
Joel Henriques
Subscrever:
Mensagens (Atom)
