segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

FRUTOS VERMELHOS

A imensidão da cor espalha-se
Mistura-se na saliva dos desejos
Perde-se no centro da terra
Renova-se a cada beijo
Desvanece-se num só gemido
O prazer do púrpuro
O cheiro dos frutos
Sim, são vermelhos,
Sim, são meus
Encantos e desencantos,
Enquanto sonhas e enquanto te perdes
Suspiros no vazio...
Silêncio que não existe
Evades-te e de novo te reencontras
Nunca em ti, sempre em mim
Eis-te aqui
A preencher os contornos do todo


Sara Almeida Santos


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

PIED-DE-NEZ

Lá anda a minha Dor às cambalhotas
No salão de vermelho atapetado-
Meu cetim de ternura engordurado,
Rendas da minha ânsia todas rotas.

O Erro sempre a rir-me em destrambelho-
Falso mistério, mas que não se abrange...
De antigo armário que agoirento range,
Minha alma actual o esverdinhado espelho...

Chora em mim um palhaço às piruetas;
O meu castelo em Espanha, ei-lo vendido-
E, entretanto, foram de violetas,

Deram-me beijos sem os ter pedido...
Mas como sempre, ao fim - bandeiras pretas,
Tômbolas falsas,carrossel partido...




Mário de Sá-Carneiro


 

 

sábado, 31 de dezembro de 2011



"FELIZ ANO NOVO"

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.



Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...


É a Hora!

Fernando Pessoa








sexta-feira, 23 de dezembro de 2011