mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.
pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.
às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.
lê isto: mãe, amo-te.
eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.
José Luís Peixoto, in " A Casa, a Escuridão "
sábado, 30 de abril de 2011
sábado, 23 de abril de 2011
15
ao entardecer
desta amargura
apanhei
quinze barcos
para longe
de todos os tempos
e só ficou foi a névoa
de querer abrir-me
em beijos
e sussurrar
ao mar
e ao teu peito
que nada me separa
do desejo
de te viver.
Ana Ventura
desta amargura
apanhei
quinze barcos
para longe
de todos os tempos
e só ficou foi a névoa
de querer abrir-me
em beijos
e sussurrar
ao mar
e ao teu peito
que nada me separa
do desejo
de te viver.
Ana Ventura
sábado, 16 de abril de 2011
LINHA DE RUMO
Quem não me deu Amor,
Não me deu nada.
Encontro-me parado...
Olho em redor e vejo inacabado
O meu mundo melhor.
Tanto tempo perdido...
Com que saudade o lembro e o bendigo:
Campos de flores...
E silvas.
Fonte da vida fui. Medito. Ordeno.
Penso o futuro a haver.
E sigo deslumbrado o pensamento
Que se descobre.
Quem não me deu Amor, não me deu nada.
Desterrado,
Desterrado prossigo.
E sonho-me sem Pátria e sem Amigos,
Adrede.
Ruy Cinatti
in « O livro do Nómada meu Amigo», 1958
Não me deu nada.
Encontro-me parado...
Olho em redor e vejo inacabado
O meu mundo melhor.
Tanto tempo perdido...
Com que saudade o lembro e o bendigo:
Campos de flores...
E silvas.
Fonte da vida fui. Medito. Ordeno.
Penso o futuro a haver.
E sigo deslumbrado o pensamento
Que se descobre.
Quem não me deu Amor, não me deu nada.
Desterrado,
Desterrado prossigo.
E sonho-me sem Pátria e sem Amigos,
Adrede.
Ruy Cinatti
in « O livro do Nómada meu Amigo», 1958
quarta-feira, 30 de março de 2011
LINHAS PARALELAS
Neste longo viver,
Tudo nos vai acontecendo:
O mau queremos esquecer,
O bom vai arrefecendo.
São linhas paralelas,
Que, sem querer, existem.
Não se apaga qualquer delas,
são linhas que coexistem.
Sem o bom, porém,
O mau não tinha existido.
Sem as coisas más, também,
A felicidade não tinha acontecido.
São linhas paralelas,
Que jamais podem desaparecer.
Pois qualquer delas
Faz parte do nosso viver.
Rolendis Solá Albuquerque
Tudo nos vai acontecendo:
O mau queremos esquecer,
O bom vai arrefecendo.
São linhas paralelas,
Que, sem querer, existem.
Não se apaga qualquer delas,
são linhas que coexistem.
Sem o bom, porém,
O mau não tinha existido.
Sem as coisas más, também,
A felicidade não tinha acontecido.
São linhas paralelas,
Que jamais podem desaparecer.
Pois qualquer delas
Faz parte do nosso viver.
Rolendis Solá Albuquerque
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
SOU PROFESSORA
Escolinha
Não saibas: imagina...
Deixa falar o mestre e devaneia...
A velhice é que sabe, e apenas sabe
Que o mar não cabe
Na poça que a inocência abre na areia.
Sonha!
Inventa um alfabeto
de ilusões...
Um a-bê-cê secreto
Que soletres à margem das lições...
Voa pela janela
De encontro a qualquer sol que te sorria!
Asas? Não são precisas:
Vais ao colo das brisas,
Aias das fantasias..
Miguel Torga
Imagem da internet
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