domingo, 28 de agosto de 2011

A CHEGADA DO POEMA

É uma inesperada ideia, que irrompe do nada!
Um sopro,
Um acenar na bruma,
Um balancear de folha,
Um afagar de brisa,
Uma tremura de água,
Um trejeito de ombro,
Um sussurrar de anca,
Um barquinho no olhar...
Não sei explicar!
Batem à porta!
Quem é?!
Vou abrir.
É o poema
Que entra a sorrir...

Eduardo Aleixo






 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Branco Sal

Descobrir-te
sob o mesmo céu,
              onde os pássaros.

Ver os pássaros.


Eo Sol e a Luz
e as Cores.
             A Manhã.


Descobrir-te
onde te sabia.
Desde o primeiro dia:
há muito tempo...


Retiro o véu
com que te cobri.
              Da cartola:
O coelho ou a pomba?


Talvez gaivotas.
De maresia 
cercados
-Vivemos-




Rosa Melo



 





terça-feira, 19 de julho de 2011

CHÃO FIRME

Das silvas colhendo amoras,
do céu estrelas colhendo,
das trevas colhendo ânimo,
do mal colhendo a razão,
dos erros colhendo o certo,
do ódio colhendo o amor,
vou por onde outros já foram,
vou por onde outros irão.
Nunca, por mais vão que seja,
o meu sonho será vão.


Armindo Rodrigues


domingo, 10 de julho de 2011

Com as árvores e com as águas
partilho os meus pensamentos.
Manuseio estas palavras como se fossem minhas
para as usar como protesto,
como absolvição: a boca
devorando a própria fome.
Aguardo um sinal que decifre
o nomadismo da memória
e rompa a cumplicidade do tempo.



Graça Pires








quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mãos

A ternura são as mãos.
Não são o canto que exalta
nem a palavra que grita.
São as mãos.

São as mãos que fazem 
falta
Não as do ódio que mata :
as da fé que ressuscita.


As que, mudas, se
procuram
na velha sombra da
escada,
no esquivo canto do muro,
livres como a madrugada,
sabendo que é o futuro
que as alimenta - e mais nada.


Sim, são as mãos a ternura
possível neste deserto
que salta, muito concreto,
do rosto da multidão.


Sim são as mãos a ternura.
Sim, meu amor, a ternura,
a ternura
são as tuas mãos!


António Luís Moita

CIDADE SEM TEMPO
        Do Amor
        Da Morte
Das Pequenas Coisas
        Poemas