A mão do poeta
Desenha-me o pensamento,
Inventa-me,transforma-me,
Cria-me num encantamento.
Imagina-me transparente
Sem corpo de desejo,
Que até eu próprio me sentindo
Não me vejo...
António Henrique
quarta-feira, 21 de março de 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Zeca Afonso sempre
No 25º aniversário do seu «dobrar a curva da estrada»
Desta canção que apeteço
À espera do Maio ido
Chega-me agora um trinado
Do outro lado do rio
Quisera ser rio ou ave
Cair no chão que estremeço
Para cantar à vontade
Esta canção que apeteço
Esta canção a meu gosto
Vinda pela madrugada
Sai da garganta da gente
Aos magotes pela estrada
Escrito na prisão de Caxias
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
DE UMA SÓ VEZ
Então deixa-me fugir contigo.
Deixa-me largar as pedras, abandonar as ruas,
Empurrar o chão e subir às nuvens.
Soltar amarras, correntes e pendentes
Ir contigo para o preenchido vazio.
Deixa-me entrar nesse colorido,
Ser o centro do vermelho garrido
Do longe, do vasto, do desejo
Respirado, finalmente desejado.
Então deixa-me entrar nessa vida contigo,
Sair desta e ver que o mundo
Se renova cada dia.
Margarida Damião Ferreira
Deixa-me largar as pedras, abandonar as ruas,
Empurrar o chão e subir às nuvens.
Soltar amarras, correntes e pendentes
Ir contigo para o preenchido vazio.
Deixa-me entrar nesse colorido,
Ser o centro do vermelho garrido
Do longe, do vasto, do desejo
Respirado, finalmente desejado.
Então deixa-me entrar nessa vida contigo,
Sair desta e ver que o mundo
Se renova cada dia.
Margarida Damião Ferreira
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
ESTILHAÇOS
Estilhaços de vidro
Alguma coisa se partiu
Quebrou-se em milésimas
Partes infinitas e foscas
Tão pequenas
Jamais se dirá o que um dia foi
Permanece no chão
Coberto com uma longa teia
Brilham à medida que a luz trespassa
O que se terá desfeito?
Não há nada a limpar
Não é possível juntar todos os fragmentos
Estilhaços. . .
Sara Almeida Santos
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
SONETO QUASE INÉDITO
Surge Janeiro frio
e pardacento,
Descem da serra os lobos
ao povoado;
Assentam-se os fantoches
em São Bento
E o Decreto da fome
é publicado.
Edita-se a novela do
Orçamento;
Cresce a miséria ao
povo amordaçado;
Mas os biltres do
novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.
E enquanto à fome o
povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
mistura de judeu e de vilão,
Também faz o pequeno " sacrifício "
De trinta contos - só!
- por seu ofício
Receber, a bem dele...
E da nação...
José Régio
Soneto escrito em 1969
" José Régio e o seu burro " - por Hermínio Felizardo
e pardacento,
Descem da serra os lobos
ao povoado;
Assentam-se os fantoches
em São Bento
E o Decreto da fome
é publicado.
Edita-se a novela do
Orçamento;
Cresce a miséria ao
povo amordaçado;
Mas os biltres do
novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.
E enquanto à fome o
povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
mistura de judeu e de vilão,
Também faz o pequeno " sacrifício "
De trinta contos - só!
- por seu ofício
Receber, a bem dele...
E da nação...
José Régio
Soneto escrito em 1969
" José Régio e o seu burro " - por Hermínio Felizardo
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