sábado, 18 de outubro de 2014
Coisas simples
A chuva na janela,
Uma brisa leve no cabelo,
Um raio de sol ao fim do dia,
O cheiro da relva acabada de cortar.
Um abraço bem apertado,
Um segredo bem guardado,
Um sorriso pela manhã,
O verde espalhado no prado.
Uma troca de olhares,
O bater do coração,
Uma amizade colorida,
O partilhar de uma emoção.
Dulce Guarda
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Aos mil e um sem abrigo
Mais uma noite ao relento
Corpos maltratados e sem alento
Tristeza de um maldito fado...
Corpos nascidos da terra lenta
São força parda e lamacenta
Simples papel amachucado
Sal das vidas...um vintém
Na espera contínua de alguém
E lembram a dureza, a secura
Sonata da vida tão incerta
E enquanto a cidade desperta
São farol em noite escura
Ana Flausino
Mais uma noite ao relento
Corpos maltratados e sem alento
Tristeza de um maldito fado...
Corpos nascidos da terra lenta
São força parda e lamacenta
Simples papel amachucado
Sal das vidas...um vintém
Na espera contínua de alguém
E lembram a dureza, a secura
Sonata da vida tão incerta
E enquanto a cidade desperta
São farol em noite escura
Ana Flausino
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Pequenas coisas
Falar do trigo e não dizer
o joio. Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.
Albano Martins
Falar do trigo e não dizer
o joio. Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.
Albano Martins
terça-feira, 30 de abril de 2013
Auto-Erotismo
Havia uma nascente
dentro de mim
que não secava.
Era um fio
e crescia, crescia
até ser rio.
Havia um rio
dentro de mim
que não parava,
a engrossar.
E corria, corria
atrás do mar.
Havia um mar
dentro de mim
que se alongava
como um lençol,
onda após onda,
de encontro ao sol.
Havia um sol
dentro de mim
que se acendia
como se fosse eu
a fazer o dia.
César Vieira Dinis
sábado, 20 de abril de 2013
Sede
Suponho ponho
encaminho o espaço
no céu da tua boca
e teu palato
As palavras formadas
na saliva
quando bebo o vinho
em tua face
Faço o novelo
e desfaço a arte
teço com o grito da água
a tua sede
Seco com o linho do cabelo
e passo
ao lado mesmo do nó do teu abraço
Maria Teresa Horta
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