Como se de repente ao coração do sol
as raízes da luz alguém as arrancasse...
Como se de repente as hélices do vento
arranhassem o ar, e o Mar estivesse perto...
Como se de repente o Mundo entontecesse...
Foi tudo de repente e tudo ao mesmo tempo:
escuridão, rumor, frescura, movimento.
Mas de entre as espirais confusas quem sabia
se era de novo amor, se era só melodia?
David Mourão-Ferreira
quarta-feira, 15 de junho de 2011
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Calabouço
Dou laços
com os meus braços
em redor do teu pescoço
Desato aquilo que faço
dou um nó no fundo poço
no modo como te enlaço
De bruços desfaço
o espaço
no torpor que solto e ouço
Traço com a boca e trespasso
o coração que doendo
se torna meu calabouço
Maria Teresa Horta
com os meus braços
em redor do teu pescoço
Desato aquilo que faço
dou um nó no fundo poço
no modo como te enlaço
De bruços desfaço
o espaço
no torpor que solto e ouço
Traço com a boca e trespasso
o coração que doendo
se torna meu calabouço
Maria Teresa Horta
segunda-feira, 30 de maio de 2011
8
Mergulharei em finas neblinas
que abrirão comportas do nunca visto
dos sentidos puros onde
cada cheiro,
cor
me transportará a recantos não visitados.
Quantas coisas direi
sem querer
Quantas armas usarei
para me impedir de te amar
até ao insuportável.
Forjei lanças e dardos
sem procurar outros caminhos.
Repito vezes sem conta verdades....
que nem relativas são!
Resisto.
Entrego!
Maria Teresa Mota
que abrirão comportas do nunca visto
dos sentidos puros onde
cada cheiro,
cor
me transportará a recantos não visitados.
Quantas coisas direi
sem querer
Quantas armas usarei
para me impedir de te amar
até ao insuportável.
Forjei lanças e dardos
sem procurar outros caminhos.
Repito vezes sem conta verdades....
que nem relativas são!
Resisto.
Entrego!
Maria Teresa Mota
domingo, 15 de maio de 2011
QUOTIDIANO
Tu permites que eu vá
mas também me reténs
tentando seguir a minha falta
Imaginas que fujo enquanto me tens
e supões-me estar perto
quando afinal já parto
Tu ficas atento, inventas passagens
contas pelos dedos
tudo aquilo que faço
E quando me disfarço fechas os olhos
àquilo que importa
Finges que não sabes
abres a janela e trancas-me a porta
Maria Teresa Horta
mas também me reténs
tentando seguir a minha falta
Imaginas que fujo enquanto me tens
e supões-me estar perto
quando afinal já parto
Tu ficas atento, inventas passagens
contas pelos dedos
tudo aquilo que faço
E quando me disfarço fechas os olhos
àquilo que importa
Finges que não sabes
abres a janela e trancas-me a porta
Maria Teresa Horta
terça-feira, 10 de maio de 2011
Ternura
Desvio dos teus ombros o lençol
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
David Mourão-Ferreira
infinito pessoal ou a arte de amar-1962
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
David Mourão-Ferreira
infinito pessoal ou a arte de amar-1962
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