sábado, 31 de dezembro de 2011
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
NEVOEIRO
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
domingo, 11 de dezembro de 2011
Em todos os passos
Em todos os passos
existe um pouco do que desejo.
Acordam o rumor do corpo
em lugares próximos.
Antecipam a distância
apesar de ínfimos e repetidos.
Percorria as ruas
como se nada procurasse
além do desígnio.
Entre os limites, acrescentava o deserto.
Encontrarei o que desejo em todos os passos,
não apenas no fim ou no início.
Joel Henriques
existe um pouco do que desejo.
Acordam o rumor do corpo
em lugares próximos.
Antecipam a distância
apesar de ínfimos e repetidos.
Percorria as ruas
como se nada procurasse
além do desígnio.
Entre os limites, acrescentava o deserto.
Encontrarei o que desejo em todos os passos,
não apenas no fim ou no início.
Joel Henriques
domingo, 20 de novembro de 2011
O mar
A onda encrespa-se e cai.
Bate na rocha,
banha as areias
as pedras brilham.
A chuva derrama-se beijando a terra e fecundando-a,
murmurando todos os segredos dos amantes.
O Vento
varre a peste e deixa na cara das coisas a sua marca.
O sol
aquece a Alma do mundo, cujas partículas a nós pertencem.
Beijo a terra e parto
Comungo a vida sem laços
com ternuras na pele
beijos matinais e carícias do olhar.
Sorvo o ar
lentamente
e quem sabe...
Sou feliz.
Maria Teresa Mota
A onda encrespa-se e cai.
Bate na rocha,
banha as areias
as pedras brilham.
A chuva derrama-se beijando a terra e fecundando-a,
murmurando todos os segredos dos amantes.
O Vento
varre a peste e deixa na cara das coisas a sua marca.
O sol
aquece a Alma do mundo, cujas partículas a nós pertencem.
Beijo a terra e parto
Comungo a vida sem laços
com ternuras na pele
beijos matinais e carícias do olhar.
Sorvo o ar
lentamente
e quem sabe...
Sou feliz.
Maria Teresa Mota
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
O CREPÚSCULO DOS HOMENS
Eram homens, aqueles que ficaram
depois dos deuses mortos, esquecidos...
Só que os homens, por fim, também pensaram
serem deuses. E logo, consumidos.
Com a cisão do átomo, vibraram.
E ficaram depois mais desunidos
com as coisas que os deuses lhes legaram:
auroras e crepúsculos seguidos.
Mas não se avista ainda o fim da dança.
Para lá do crepúsculo se lança,
desafiando monstros e dragões.
Imitação ou mera semelhança,
como os deuses o homem não descansa.
Afaga a brisa e surgem-lhe tufões...
HERNANI DE LENCASTRE
depois dos deuses mortos, esquecidos...
Só que os homens, por fim, também pensaram
serem deuses. E logo, consumidos.
Com a cisão do átomo, vibraram.
E ficaram depois mais desunidos
com as coisas que os deuses lhes legaram:
auroras e crepúsculos seguidos.
Mas não se avista ainda o fim da dança.
Para lá do crepúsculo se lança,
desafiando monstros e dragões.
Imitação ou mera semelhança,
como os deuses o homem não descansa.
Afaga a brisa e surgem-lhe tufões...
HERNANI DE LENCASTRE
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
PÁTRIA
Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro
Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Dum longo relatório irrecusável
E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas
-Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro
Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo
SOPHIA DE MELLO BREYNER
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro
Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Dum longo relatório irrecusável
E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas
-Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro
Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo
SOPHIA DE MELLO BREYNER
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
CONDOR
Doce olhar
cachorrento
minhas feridas
lavava,
apaziguador.
E em mim
incubava
a sua própria dor.
Rosa Melo
cachorrento
minhas feridas
lavava,
apaziguador.
E em mim
incubava
a sua própria dor.
Rosa Melo
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
44
As flores roxas partem-se ao toque da chuva.
Lugar sem nome, saudade de mim
Sem querer pisaste o meu jardim
e as marcas dos teus pés ainda aqui estão
As pegadas diluir-se-ão
No fim só o aroma de ti.
Maria Teresa Mota
Lugar sem nome, saudade de mim
Sem querer pisaste o meu jardim
e as marcas dos teus pés ainda aqui estão
As pegadas diluir-se-ão
No fim só o aroma de ti.
Maria Teresa Mota
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
ENTRELAÇAR
Desentrelaço o amor
deslaçando o imprevisto
e se com ele me visto
de novo com as tuas mãos
torno a tecer
o que dispo
Entranço a luz no abraço
e o baraço no fulgor
desembaraço a nudez
tiro e uso o meu pudor
ponho o sol a iluminar
o corpo seja onde for
Maria Teresa Horta
domingo, 28 de agosto de 2011
A CHEGADA DO POEMA
É uma inesperada ideia, que irrompe do nada!
Um sopro,
Um acenar na bruma,
Um balancear de folha,
Um afagar de brisa,
Uma tremura de água,
Um trejeito de ombro,
Um sussurrar de anca,
Um barquinho no olhar...
Não sei explicar!
Batem à porta!
Quem é?!
Vou abrir.
É o poema
Que entra a sorrir...
Eduardo Aleixo
Um sopro,
Um acenar na bruma,
Um balancear de folha,
Um afagar de brisa,
Uma tremura de água,
Um trejeito de ombro,
Um sussurrar de anca,
Um barquinho no olhar...
Não sei explicar!
Batem à porta!
Quem é?!
Vou abrir.
É o poema
Que entra a sorrir...
Eduardo Aleixo
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Branco Sal
Descobrir-te
sob o mesmo céu,
onde os pássaros.
Ver os pássaros.
Eo Sol e a Luz
e as Cores.
A Manhã.
Descobrir-te
onde te sabia.
Desde o primeiro dia:
há muito tempo...
Retiro o véu
com que te cobri.
Da cartola:
O coelho ou a pomba?
Talvez gaivotas.
De maresia
cercados
-Vivemos-
Rosa Melo
sob o mesmo céu,
onde os pássaros.
Ver os pássaros.
Eo Sol e a Luz
e as Cores.
A Manhã.
Descobrir-te
onde te sabia.
Desde o primeiro dia:
há muito tempo...
Retiro o véu
com que te cobri.
Da cartola:
O coelho ou a pomba?
Talvez gaivotas.
De maresia
cercados
-Vivemos-
Rosa Melo
terça-feira, 19 de julho de 2011
CHÃO FIRME
Das silvas colhendo amoras,
do céu estrelas colhendo,
das trevas colhendo ânimo,
do mal colhendo a razão,
dos erros colhendo o certo,
do ódio colhendo o amor,
vou por onde outros já foram,
vou por onde outros irão.
Nunca, por mais vão que seja,
o meu sonho será vão.
Armindo Rodrigues
do céu estrelas colhendo,
das trevas colhendo ânimo,
do mal colhendo a razão,
dos erros colhendo o certo,
do ódio colhendo o amor,
vou por onde outros já foram,
vou por onde outros irão.
Nunca, por mais vão que seja,
o meu sonho será vão.
Armindo Rodrigues
domingo, 10 de julho de 2011
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Mãos
A ternura são as mãos.
Não são o canto que exalta
nem a palavra que grita.
São as mãos.
São as mãos que fazem
falta
Não as do ódio que mata :
as da fé que ressuscita.
As que, mudas, se
procuram
na velha sombra da
escada,
no esquivo canto do muro,
livres como a madrugada,
sabendo que é o futuro
que as alimenta - e mais nada.
Sim, são as mãos a ternura
possível neste deserto
que salta, muito concreto,
do rosto da multidão.
Sim são as mãos a ternura.
Sim, meu amor, a ternura,
a ternura
são as tuas mãos!
António Luís Moita
CIDADE SEM TEMPO
Do Amor
Da Morte
Das Pequenas Coisas
Poemas
Não são o canto que exalta
nem a palavra que grita.
São as mãos.
São as mãos que fazem
falta
Não as do ódio que mata :
as da fé que ressuscita.
As que, mudas, se
procuram
na velha sombra da
escada,
no esquivo canto do muro,
livres como a madrugada,
sabendo que é o futuro
que as alimenta - e mais nada.
Sim, são as mãos a ternura
possível neste deserto
que salta, muito concreto,
do rosto da multidão.
Sim são as mãos a ternura.
Sim, meu amor, a ternura,
a ternura
são as tuas mãos!
António Luís Moita
CIDADE SEM TEMPO
Do Amor
Da Morte
Das Pequenas Coisas
Poemas
terça-feira, 21 de junho de 2011
Prece
Digo o teu nome
baixo
repetido
como quem diz a prece
condenada
perante um deus maligno e antigo
vingativo
violento
viciado
Digo
murmurado um castiçal
de prata e de areia cinzelado
é o teu nome
castiçal sagrado
que acendo reacendo e não apago
MariaTeresa Horta
Candelabro-Maio de 1972
baixo
repetido
como quem diz a prece
condenada
perante um deus maligno e antigo
vingativo
violento
viciado
Digo
murmurado um castiçal
de prata e de areia cinzelado
é o teu nome
castiçal sagrado
que acendo reacendo e não apago
MariaTeresa Horta
Candelabro-Maio de 1972
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Como se de repente ao coração do sol
Como se de repente ao coração do sol
as raízes da luz alguém as arrancasse...
Como se de repente as hélices do vento
arranhassem o ar, e o Mar estivesse perto...
Como se de repente o Mundo entontecesse...
Foi tudo de repente e tudo ao mesmo tempo:
escuridão, rumor, frescura, movimento.
Mas de entre as espirais confusas quem sabia
se era de novo amor, se era só melodia?
David Mourão-Ferreira
as raízes da luz alguém as arrancasse...
Como se de repente as hélices do vento
arranhassem o ar, e o Mar estivesse perto...
Como se de repente o Mundo entontecesse...
Foi tudo de repente e tudo ao mesmo tempo:
escuridão, rumor, frescura, movimento.
Mas de entre as espirais confusas quem sabia
se era de novo amor, se era só melodia?
David Mourão-Ferreira
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Calabouço
Dou laços
com os meus braços
em redor do teu pescoço
Desato aquilo que faço
dou um nó no fundo poço
no modo como te enlaço
De bruços desfaço
o espaço
no torpor que solto e ouço
Traço com a boca e trespasso
o coração que doendo
se torna meu calabouço
Maria Teresa Horta
com os meus braços
em redor do teu pescoço
Desato aquilo que faço
dou um nó no fundo poço
no modo como te enlaço
De bruços desfaço
o espaço
no torpor que solto e ouço
Traço com a boca e trespasso
o coração que doendo
se torna meu calabouço
Maria Teresa Horta
segunda-feira, 30 de maio de 2011
8
Mergulharei em finas neblinas
que abrirão comportas do nunca visto
dos sentidos puros onde
cada cheiro,
cor
me transportará a recantos não visitados.
Quantas coisas direi
sem querer
Quantas armas usarei
para me impedir de te amar
até ao insuportável.
Forjei lanças e dardos
sem procurar outros caminhos.
Repito vezes sem conta verdades....
que nem relativas são!
Resisto.
Entrego!
Maria Teresa Mota
que abrirão comportas do nunca visto
dos sentidos puros onde
cada cheiro,
cor
me transportará a recantos não visitados.
Quantas coisas direi
sem querer
Quantas armas usarei
para me impedir de te amar
até ao insuportável.
Forjei lanças e dardos
sem procurar outros caminhos.
Repito vezes sem conta verdades....
que nem relativas são!
Resisto.
Entrego!
Maria Teresa Mota
domingo, 15 de maio de 2011
QUOTIDIANO
Tu permites que eu vá
mas também me reténs
tentando seguir a minha falta
Imaginas que fujo enquanto me tens
e supões-me estar perto
quando afinal já parto
Tu ficas atento, inventas passagens
contas pelos dedos
tudo aquilo que faço
E quando me disfarço fechas os olhos
àquilo que importa
Finges que não sabes
abres a janela e trancas-me a porta
Maria Teresa Horta
mas também me reténs
tentando seguir a minha falta
Imaginas que fujo enquanto me tens
e supões-me estar perto
quando afinal já parto
Tu ficas atento, inventas passagens
contas pelos dedos
tudo aquilo que faço
E quando me disfarço fechas os olhos
àquilo que importa
Finges que não sabes
abres a janela e trancas-me a porta
Maria Teresa Horta
terça-feira, 10 de maio de 2011
Ternura
Desvio dos teus ombros o lençol
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
David Mourão-Ferreira
infinito pessoal ou a arte de amar-1962
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
David Mourão-Ferreira
infinito pessoal ou a arte de amar-1962
sábado, 30 de abril de 2011
PALAVRAS PARA A MINHA MÃE
mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.
pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.
às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.
lê isto: mãe, amo-te.
eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.
José Luís Peixoto, in " A Casa, a Escuridão "
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.
pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.
às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.
lê isto: mãe, amo-te.
eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.
José Luís Peixoto, in " A Casa, a Escuridão "
sábado, 23 de abril de 2011
15
ao entardecer
desta amargura
apanhei
quinze barcos
para longe
de todos os tempos
e só ficou foi a névoa
de querer abrir-me
em beijos
e sussurrar
ao mar
e ao teu peito
que nada me separa
do desejo
de te viver.
Ana Ventura
desta amargura
apanhei
quinze barcos
para longe
de todos os tempos
e só ficou foi a névoa
de querer abrir-me
em beijos
e sussurrar
ao mar
e ao teu peito
que nada me separa
do desejo
de te viver.
Ana Ventura
sábado, 16 de abril de 2011
LINHA DE RUMO
Quem não me deu Amor,
Não me deu nada.
Encontro-me parado...
Olho em redor e vejo inacabado
O meu mundo melhor.
Tanto tempo perdido...
Com que saudade o lembro e o bendigo:
Campos de flores...
E silvas.
Fonte da vida fui. Medito. Ordeno.
Penso o futuro a haver.
E sigo deslumbrado o pensamento
Que se descobre.
Quem não me deu Amor, não me deu nada.
Desterrado,
Desterrado prossigo.
E sonho-me sem Pátria e sem Amigos,
Adrede.
Ruy Cinatti
in « O livro do Nómada meu Amigo», 1958
Não me deu nada.
Encontro-me parado...
Olho em redor e vejo inacabado
O meu mundo melhor.
Tanto tempo perdido...
Com que saudade o lembro e o bendigo:
Campos de flores...
E silvas.
Fonte da vida fui. Medito. Ordeno.
Penso o futuro a haver.
E sigo deslumbrado o pensamento
Que se descobre.
Quem não me deu Amor, não me deu nada.
Desterrado,
Desterrado prossigo.
E sonho-me sem Pátria e sem Amigos,
Adrede.
Ruy Cinatti
in « O livro do Nómada meu Amigo», 1958
quarta-feira, 30 de março de 2011
LINHAS PARALELAS
Neste longo viver,
Tudo nos vai acontecendo:
O mau queremos esquecer,
O bom vai arrefecendo.
São linhas paralelas,
Que, sem querer, existem.
Não se apaga qualquer delas,
são linhas que coexistem.
Sem o bom, porém,
O mau não tinha existido.
Sem as coisas más, também,
A felicidade não tinha acontecido.
São linhas paralelas,
Que jamais podem desaparecer.
Pois qualquer delas
Faz parte do nosso viver.
Rolendis Solá Albuquerque
Tudo nos vai acontecendo:
O mau queremos esquecer,
O bom vai arrefecendo.
São linhas paralelas,
Que, sem querer, existem.
Não se apaga qualquer delas,
são linhas que coexistem.
Sem o bom, porém,
O mau não tinha existido.
Sem as coisas más, também,
A felicidade não tinha acontecido.
São linhas paralelas,
Que jamais podem desaparecer.
Pois qualquer delas
Faz parte do nosso viver.
Rolendis Solá Albuquerque
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
SOU PROFESSORA
Escolinha
Não saibas: imagina...
Deixa falar o mestre e devaneia...
A velhice é que sabe, e apenas sabe
Que o mar não cabe
Na poça que a inocência abre na areia.
Sonha!
Inventa um alfabeto
de ilusões...
Um a-bê-cê secreto
Que soletres à margem das lições...
Voa pela janela
De encontro a qualquer sol que te sorria!
Asas? Não são precisas:
Vais ao colo das brisas,
Aias das fantasias..
Miguel Torga
Imagem da internet
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
SOBRE O CAMINHO
Nada.
Nem o branco fogo do trigo
nem as agulhas cravadas na pupila dos pássaros
te dirão a palavra.
Não interrogues não perguntes
entre a razão e a turbulência da neve
não há diferença.
Não colecciones dejectos o teu destino és tu.
Despe-te
não há outro caminho.
Eugénio de Andrade
Nem o branco fogo do trigo
nem as agulhas cravadas na pupila dos pássaros
te dirão a palavra.
Não interrogues não perguntes
entre a razão e a turbulência da neve
não há diferença.
Não colecciones dejectos o teu destino és tu.
Despe-te
não há outro caminho.
Eugénio de Andrade
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
POESIA
Doze signos do céu o Sol percorre,
E, renovando o curso, nasce e morre
Nos horizontes do que contemplamos.
Tudo em nós é o ponto de onde estamos.
Ficções da nossa mesma consciência
Jazemos o instinto e a ciência.
E o sol parado nunca percorreu
Os doze signos que não há no céu.
Fernando Pessoa ( 1888-1935 )
Poesia 1918-1930
E, renovando o curso, nasce e morre
Nos horizontes do que contemplamos.
Tudo em nós é o ponto de onde estamos.
Ficções da nossa mesma consciência
Jazemos o instinto e a ciência.
E o sol parado nunca percorreu
Os doze signos que não há no céu.
Fernando Pessoa ( 1888-1935 )
Poesia 1918-1930
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Art Project, powered by Google
Art Project, powered by Google: "– Enviado através da Barra de ferramentas do Google"
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
ST.VALENTINE'S DAY
Roses are red
Violets are blue
Love is gold
To the happy few
Adília Lopes (1960)
Dobra ( Poesia Reunida 1983-2007)
Violets are blue
Love is gold
To the happy few
Adília Lopes (1960)
Dobra ( Poesia Reunida 1983-2007)
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Se nas tuas mãos
colhesse o orvalho que mitigasse a minha dor...
sobre elas derramaria o meu ser preguiçoso
em busca de unidade.
Se nos meus olhos que carregam os teus,
bebêssemos maresias
quem sabe?
que voos alcançaríamos?
Silêncios nos rodeiam,
gritos ecoam,
Que sentido faz a música quando a encontro em ti?
Que sentido!...
Quem sabe
Maria Teresa Mota
colhesse o orvalho que mitigasse a minha dor...
sobre elas derramaria o meu ser preguiçoso
em busca de unidade.
Se nos meus olhos que carregam os teus,
bebêssemos maresias
quem sabe?
que voos alcançaríamos?
Silêncios nos rodeiam,
gritos ecoam,
Que sentido faz a música quando a encontro em ti?
Que sentido!...
Quem sabe
Maria Teresa Mota
sábado, 15 de janeiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
RECOMEÇAR
Não importa onde você parou …
em que momento da vida você cansou…
o que importa é que sempre é possível e necessário “Recomeçar”.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo…
é renovar as esperanças na vida e o mais importante…
acreditar em você de novo…
Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado.
Chorou muito? Foi limpeza da alma.
Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia.
Tem tanta gente esperando apenas um sorriso seu para “chegar” perto de você.
Recomeçar…
hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Onde você quer chegar?
Ir alto… sonhe alto…
queira o melhor do melhor…
pensando assim trazemos pra nós aquilo que desejamos…
Se pensarmos pequeno coisas pequenas teremos ….
Já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente lutarmos pelo melhor, o melhor vai se instalar em nossa vida.
“Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura.”
Carlos Drummond de Andrade
em que momento da vida você cansou…
o que importa é que sempre é possível e necessário “Recomeçar”.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo…
é renovar as esperanças na vida e o mais importante…
acreditar em você de novo…
Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado.
Chorou muito? Foi limpeza da alma.
Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia.
Tem tanta gente esperando apenas um sorriso seu para “chegar” perto de você.
Recomeçar…
hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Onde você quer chegar?
Ir alto… sonhe alto…
queira o melhor do melhor…
pensando assim trazemos pra nós aquilo que desejamos…
Se pensarmos pequeno coisas pequenas teremos ….
Já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente lutarmos pelo melhor, o melhor vai se instalar em nossa vida.
“Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura.”
Carlos Drummond de Andrade
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